Facção Central lança clipe Lágrimas de Sangue, trazendo o rap de volta às origens
Com nova formação, após a saída de Eduardo Tadeo e o falecimento de Dum-Dum, grupo inicia 2025 com grooves e batidas pesadas, além de mensagens diretas e conscientes.

O grupo paulista de rap Facção Central - uma das referências nacionais do rap e do hip-hop – lança em 2025 dois vídeoclipes de peso, Laboratório de Madeirite e Lágrimas de Sangue feat. Markão II e Smith-E , após a saída de Eduardo Tadeo, que continua como linha de frente na luta social e de classes, atuando na área da advocacia.
Com uma mensagem direta e contundente, o grupo traz ao público a nostalgia dos tempos de ouro do rap no Brasil, quando os sons que mais tocavam nos autofalantes eram poesias realistas e indigestas de grupos e artistas como Racionais MC’s, MV Bill, GOG, Consciência Humana, Realidade Cruel, Facção Central, Cirurgia Moral, Ao Cubo, RZO, entre tantos outros grandes expoentes da cultura de rua no Brasil e no mundo.
“Foi a época de ouro do rap no Brasil. Na época tinha os ‘lambe lambe’ (cartazes de shows colados em locais de grande circulação de pessoas), e era a gente colando e os policiais tirando e falando, ‘na minha cidade não’”, relembra Dum Dum( Washington Roberto Santana), falecido em 12 de maio de 2023.
Segundo ele, a perseguição ao grupo e a seus fans se tornou constante, após o lançamento do clipe Isso Aqui é uma Guerra.
“Até que um dia, 30 minutos antes do show, apareceram policiais, as autoridades da cidade. O show era em São João del Rei, até hoje eu me lembro dessa fita. Aí voltamos para o hotel, as pessoas que iriam ao show foram ao hotel, aí começamos a tirar fotos e dar autógrafos”, afirmou o MC, relatando a perseguição policial e do Estado e o amor do público pelo trabalho do Facção Central.
Com o lançamento do hit Isso Aqui é uma Guerra, com direito a videoclipe exibido diversas vezes na MTV Brasil, expandiu-se o debate nacional acerca das mensagens sociais do rap e do hip-hop, tornando o grupo um alvo constante da polícia e das autoridades, resultando em perseguições cada vez maiores ao grupo e a seus integrantes, e no fim da formação que deu voz ao Facção Central e foi ao encontro da realidade de diversos brasileiros.
Atualmente, o Facção Central segue produzindo com Nino FC à frente do grupo, junto a diversos parceiros , como Markão II, Smith-E, não calando a voz do grupo que é referência histórica para o rap nacional e mundial.
Az Ideia Podcast:
https://www.youtube.com/live/aZ_HNqJVUVg?si=xvm5c2xLY7SLkefR
Eduardo Tadeo segue atuando na advocacia
Grande expoente do grupo à época em que foram lançados grandes sucessos nacionais, como A Bactéria, Isso Aqui é uma Guerra e A Paz está Morta, Eduardo Tadeo segue militando em defesa dos mais necessitados e menos favorecidos, como advogado, nobre papel em uma sociedade tão injusta e na maior parte das vezes desigual.
“Ali foi mal interpretado. Nós colocamos ali, como todo rapper coloca, uma mensagem positiva. Colocamos um clipe que mostrava violência, a violência que está no cotidiano, que eu vejo na televisão, mas nós colocamos no clipe três pontos benéficos para a população: Mostrando que o cara que está esquecido na periferia pode vir a se tornar um bandido, sem estudo, sem escola, sem perspectiva nenhuma de vida. Falamos ao cara que tem dinheiro, que não adianta viver enjaulado, ficar só dentro do condomínio, esperando que nada de mal irá lhe acontecer. E nós colocamos no final do videoclipe o ladrão sendo morto ou preso. Isso mostra claramente que o crime não compensa”, dispara Eduardo Tadeo.
É o rap e o movimento hip-hop transformando vidas e sempre atuando em prol do povo preto, pobre e periférico, assim como em defesa dos mais humildes e da igualdade social.
Laboratório de Madeirite: https://youtu.be/Rjd9atwiZG4?si=QRm8qwwKyVDW03Wd
Cleber Augusto - Jornalista
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