A periferia no CentroDa periferia para as telas do mundo: documentário sobre o Nação Hip Hop conquista festivais internacionais
O documentário Nação Hip Hop: Cultura de Rua resgata a história de um dos movimentos mais importantes da cultura hip hop em Santa Catarina. Dirigido por Laia Orisa, o curta já foi selecionado para festivais no Brasil, Europa e Estados Unidos, levando a força da periferia catarinense para o cenário internacional.
Um documentário que emociona desde o primeiro minuto. Ed Soul, jornalista e ativista do hip hop em Santa Catarina, desce pelo vão central do Teatro Ademir Rosa, no CIC - Centro Integrado de Cultura, principal palco de Florianópolis, enquanto uma plateia lotada o escuta atentamente. É 21 de março de 2025 e um show histórico estava prestes a acontecer. Um dos maiores ícones do hip hop brasileiro, MV Bill cantaria para centenas de fãs, muitos deles moradores da periferia da capital catarinense e cidades vizinhas que ocupavam aquele espaço pela primeira vez. A cena abre “Nação Hip Hop: Cultura de Rua”, documentário dirigido pela jovem artista plástica e ativista do Movimento Negro Laia Orisa, já selecionado para 10 festivais mundo afora e premiado no Curta Noite! - Rio de Janeiro. A pré-estreia em Florianópolis será no dia 2 de julho, na Sala de Cinema Gilberto Gerlach (CIC).
“É de imensa importância ver a cultura do Hip Hop, da comunidade, a história brasileira, de Santa Catarina, que por muitas vezes é esquecida, sendo colocada em telões e relembrada com a sua devida importância”, afirma a jovem diretora.
A produção celebra o pioneirismo de um marco na televisão brasileira: o primeiro programa independente de TV aberta dedicado ao hip hop, do qual Ed Soul foi apresentador e MV Bill muitas vezes entrevistado. Produzido em Florianópolis - Santa Catarina, foi exibido inicialmente pela TV Cultura de Santa Catarina (2001-2002) e, em seguida, pela TV Bandeirantes SC (2004-2006). O programa Nação Hip Hop é uma das ações do Grupo Nação Hip Hop e impactou mais de cinco milhões de espectadores - uma audiência histórica para a época.
Com o propósito de ser um resgate histórico e um manifesto de arte, o documentário de 15 minutos entrelaça depoimentos de sete protagonistas - todos figuras emblemáticas para o Movimento Hip Hop em Santa Catarina nos anos 2000: Jupira Dias, Marcos Antonio Batista, Paulo Cézar Júnior, Carlos Pereira, Marcelo Corcel, MV Bill e EdSoul, cujas vivências pessoais se fundem às memórias do programa.
Utilizando-se de arquivos audiovisuais, o filme percorre os principais marcos do Nação Hip Hop, das dificuldades iniciais às conquistas de prêmios, revelando o impacto cultural, social e individual gerado. Participações especiais de Cacá Diegues, Chorão, Douglas Silva e dos Racionais MCs, entre outros ícones do cinema e do rap nacional, reforçam a relevância desse legado.
A trilha sonora pulsa com “Só Deus Pode Me Julgar” (MV Bill), “Vida Loka II” (Racionais MCs) e “O Menino do Morro” (Facção Central), celebrando 25 anos de história do Nação Hip Hop. As filmagens foram feitas em cenários simbólicos como o Teatro Ademir Rosa (CIC) e a Escola Olodum Sul.


Nação Hip Hop e seu papel cultural
O grupo Nação Hip Hop, que empreendeu o programa televisivo homônimo nos anos 2000, é um dos movimentos urbanos e periféricos mais fortes de Santa Catarina e marcou gerações. Está nas periferias, onde a população muitas vezes enfrenta invisibilidade estrutural, e leva o Hip Hop como forte instrumento de expressão artística, resistência, acolhimento e educação. Promove eventos, oficinas e encontros estaduais que reúnem os pilares da cultura urbana: MCing, DJing, Breakdance e Graffiti. O coletivo já trouxe grandes nomes nacionais—como MV Bill e Nelson Triunfo—para realizar ações gratuitas que fortalecem o protagonismo juvenil.
Nação Hip Hop em festivais mundo afora
O documentário já foi selecionado para 10 festivais no Brasil, Itália, Portugal e Estados Unidos. Venceu na categoria Melhor Montagem no Festival Curta Noite! – 2ª edição (Brasil - RJ).
A diretora Laia Orisa é artista plástica e ativista do Movimento Negro. O curta-metragem “Nação Hip Hop” é sua primeira produção audiovisual.
“Fazer o documentário foi uma aula de história, foi ficar imersa em vinte anos de cultura e arte escondidas em meio a fitas cassetes, e mini DVS e aprender novamente a minha própria história”, conta Laia.
Prêmios e Indicações
● 4a Mostra Audiovisual Wallace Leal Valentin Rodrigues (Exibição - Brasil SP)
● HipHop Cinefest (Concorreu prêmio - Itália)
● FilMuzik Arts Festival – Prêmio Rocco Gatto (Concorreu Prêmio - Itália)
● Festival Curta Noite! – 2a edição (Vencedor Melhor Montagem - Brasi RJl)
● Prêmio PrimeirOlhar 2026, ENCONTROS / 26o Festival de Cinema de Viana
(Concorreu a prêmio - Portugal)
● 21a CineOP – Mostra de Cinema de Ouro Preto. Selecionado para exibição na "TV
UFOP” da Mostra Contemporânea de Curtas. (Exibição - Brasil MG)
● 20th anniversary of The Detroit Trinity International Film Festival (Exibição - EUA)
● Mostra “Cine que Une” - Museu da Imagem e do Som do Paraná (Exibição - Brasil
PR)
● InEdit - festival de documentários musicais (Exibição - Brasil SP)
● IV Festival de Cortometrajes de Mujeres Directoras Y/O Productoras (Exibição - Colômbia)
Muitas vozes
“Nação Hip Hop: Cultura de Rua” é fruto de um trabalho colaborativo que reúne vozes essenciais da cena urbana e uma equipe técnica dedicada à preservação da memória cultural.
Sob direção e roteirização de Laia Orisa, que também assina a direção de arte e o design do logo, a produção geral é da Rio Produções e do Grupo Nação Hip Hop SC, com José Cláudio Correia da Silva como produtor executivo e Jupira Dias na assistência de produção. Luiz Fernando, da Companhia Boa Nova, atuou como script doctor. A equipe Xeque Mate Films, com Nicoli Michele Carmo da Silva como gaffer e Léo Russo na direção de fotografia, garantiu coesão e qualidade estética. Andy Puerari foi responsável pela finalização do filme, edição de imagem e mixagem de som. A animação ficou a cargo de Nina Pinho e Uli Cristine, da Nine Pines Animation, com o apoio de Gabriel Dutra da Silva, e o motion design foi desenvolvido por Mari Pinheiro em parceria com Laura Pescaroli, autora do logo da produção. Vitória Portela assume como desenvolvedora dos posters e comunicação visual gráfica.
O documentário é viabilizado por meio do Edital de Apoio ao Audiovisual Armando Carreirão, da Prefeitura de Florianópolis, Fundação Cultural de Florianópolis Franklin Cascaes e FUNCINE, contemplado com recursos da Lei Paulo Gustavo, via Fundação Municipal de Esportes e Cultura (FMEC) e Prefeitura Municipal de Palhoça. Para o lançamento, tem apoio MIS/Museu da Imagem e Som, Fundação Catarinense de Cultura e Governo do Estado de Santa Catarina.
Comentários (0)