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RDD transforma o molho da Bahia em conceito no álbum "Hot Sauce"

O disco reúne uma lista diversa de participações, incluindo Karol Conká, Rincon Sapiência, Rael e artistas internacionais como Afro B e Team Salut, reforçando a proposta de conectar a Bahia ao cenário global.

RDD transforma o molho da Bahia em conceito no álbum "Hot Sauce"
Disco traz influências de pagodão baiano, afrobeat, funk e dancehall

O cantor, compositor e produtor RDD lança seu primeiro álbum solo, “Hot Sauce”. Com 13 faixas e uma lista potente de participações que atravessam cenas e fronteiras, de nomes nacionais como Karol Conká, Rincon Sapiência e Rael a artistas internacionais como Afro B, Team Salut e Anik Khan, o projeto marca um novo momento na carreira do artista, conhecido por seu trabalho à frente do ÀTTØØXXÁ, ampliando a ideia de conectar a música baiana ao cenário global.

O nome “Hot Sauce” sintetiza o conceito central do disco. Inspirado na forma como a cultura baiana se refere à sua música como “molho”, “fragrância” ou “tempero”, o projeto surge como uma metáfora dessa intensidade. “O Hot Sauce é esse tempero forte, apimentado, que é muito presente para nós. Foi a forma mais geral de apresentar isso para outras culturas”, explica RDD. A escolha do nome também reforça sua vontade de expandir fronteiras: “Eu sempre quis levar minha música o mais longe possível, e trazer esses feats de fora para dentro desse caldeirão da Bahia”.

Construído ao longo de anos, o álbum combina diferentes fases da trajetória do artista como produtor. Com faixas que começaram a ser criadas em meados de 2017, o projeto foi desenvolvido de forma orgânica, conectando artistas e momentos distintos da sua carreira. “Esse disco foi meio que um parto, fui amadurecendo ele por muito tempo. Eu quis trazer um pouquinho de cada fase da minha vida como produtor”, conta.

Essa construção se reflete também nas participações, que surgiram de maneira natural: “Eu não queria forçar nada. Os feats foram acontecendo em diferentes sessões, em diferentes momentos, e eu fui encaixando esse quebra-cabeça”. Reunindo um time diverso de colaborações que reforçam essa pluralidade do projeto, RDD convida nomes como Afro B, Karol Conká, Rincon Sapiência, Rael, Rachel Reis, Kekel, Luccas Carlos, Gaab, além de artistas internacionais e novos nomes da cena. Cada participação contribui para expandir o universo sonoro do disco, aproximando diferentes vivências, territórios e linguagens dentro do conceito.

Sem se prender a um único gênero, “Hot Sauce” percorre ritmos como pagodão baiano, samba-reggae, arrocha, funk, afrobeats e o dancehall, sempre atravessados pela identidade percussiva da Bahia. O fio condutor está justamente nesse “molho” que une todas as faixas. “A Bahia sempre traz essa coisa do excesso, da percussão, do tempero. Então você vai ver esse molho em tudo, mesmo quando a base vem de fora. É como eu enxergo a Bahia no mundo e o mundo chegando na Bahia”, explica.

O disco também aprofunda os caminhos apresentados nos singles lançados anteriormente “Joga a Bunda” e “Energy”. Enquanto a primeira reforça a essência mais crua da música baiana, a segunda aponta para uma estética global. “Essas duas faixas mostram bem os dois lados do disco: a Bahia pura e essa expansão para o mundo”, resume RDD. Além do álbum, o projeto conta com visualizers que acompanham as faixas, expandindo o conceito para além da música. Os materiais constroem essa narrativa em torno de RDD como esse “chef” que mistura diferentes temperos culturais, da Bahia ao mundo, reforçando a ideia do disco.

Entre os destaques do repertório, “AYAYA”, que reúne Afro B, Karol Conká e Rincon Sapiência, traduz o lado mais intenso e dançante do projeto. “É o tempero forte mesmo, a pimenta da Bahia. Uma faixa que mistura dancehall, funk, pagodão, tudo junto, e que traz a dança como norte”, explica. No audiovisual, essa energia se transforma em imagem: “A gente quis trazer essa estética da periferia, do paredão, dessa conexão com a música jamaicana. É bem real, bem forte”.

“Hot Sauce” representa, ainda, uma virada na carreira de RDD, que assume de vez seu protagonismo como artista solo, sem abrir mão de suas raízes. “Sempre foi um desejo meu ver minha música indo para o mundo, sendo cantada por pessoas de outros lugares, mas sem perder minha essência. É levar o molho da Bahia o mais longe possível”, finaliza.

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